3 de fevereiro de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin

Um filme para pensar, debater, propor teorias, raciocinar... Precisamos Falar Sobre o Kevin é um baita filme. Na tela, surge a maldade pura, e discute-se se ela realmente existe, se é possível haver o mal desde o sopro inicial de vida.

Na primeira cena, impactante, percebe-se que algo dará errado. Eva (Tilda Swinton, em atuação digna de Oscar) está na Tomatina, aquela festa espanhola, em Valência, regada a tomates. O vermelho, cor do sangue, toma a tela. É a cor que irá acompanhar todos os 110 minutos de aflição.

A direção soberba de Lynne Ramsay mostra uma Eva sofrida, maltratada ao extremo, sem liberdade, sem qualquer possibilidade de ser feliz. Todos são cruéis com ela. O filme vai e vem na história, sem jamais deixar de proporcionar a sensação de aflição ao espectador.

A câmera não sai de Eva. Os diálogos são curtos, secos. As cenas, fantásticas, são íntimas, em ambientes fechados, claustrofóbicas. Esta mulher já teve uma vida feliz, ao lado do marido Franklin (John C. Reilly). Isto é passado. O nascimento de Kevin, o primeiro filho do casal, mudou tudo.

Quando as câmeras deixam por instantes Eva de lado, surge a maldade de Kevin. Não há justificativa. O menino é mau. Ponto. As informações surgem a conta-gotas, da forma que tudo se encaixe aos poucos, sem deixar a aflição de lado.

Jasper Newell, o ator de Kevin criança, e Ezra Miller, já adolescente, também vão muito bem. Escolhas precisas de um grande elenco.

Eva é a culpada pela maldade de Kevin? Ele é o espelho dela? Por que ele não esconde a maldade quando está com ela? A rejeição pelo filho causou isso? O que uma mãe pode fazer nessa situação? Há o que fazer? Perguntas que ficam com quem assiste.

Há mais uma ou duas perguntas que surgem com o final. O mal dele terá jeito? Para mim, ela consegue assimilar. Entende, e dá um nó nele. Mas não quero estragar o prazer de quem ainda não viu. Tenho minha teoria, você tem ou terá a sua, o outro tem ou terá uma diferente.

Que ótimo!

Quem já leu o livro homônimo, de Lionel Shriver, diz que no cinema a forma de demonstrar o caso é diferente. Mas que os dois são incríveis. Não li, ainda. Mas para mim uma passagem já marcou, demonstrando a mesma perplexidade da plateia da exibição no Festival de Cannes: o silêncio da sala de cinema lotada quando o preto da tela aparece e as letras brancas descem os créditos. Silêncio do medo.


Precisamos Falar Sobre o Kevin / We Need to Talk About Kevin

CLASSIFICAÇÃO: PARE TUDO E VÁ VER!

Ficha técnica:

Direção
: Lynne Ramsay
Elenco: Tilda Swinton, John C. Reilly, Ezra Miller e Jasper Newell
Duração: 110 min.
Gênero: Drama
Ano: 2012-02-03
Roteiro: Lynne Ramsay e Rory Kinnear baseados no livro de Lionel Shriver
Produção: Jennifer Fox, Luc Roeg e Robert Salerno

3 comentários:

  1. Eu tinha me programado para ver esse filme na quarta passada, mas não consegui. Agora fiquei ainda mais curiosa para vê-lo! Vou ver se consigo ir no final de semana e depois podemos conversar sobre a sua teoria!

    ResponderExcluir
  2. Faça isso, Flavia. Estou louco para discutir o filme!!!

    ResponderExcluir